Autor

Convidados

Categorias

Arquivo

Maio 2006
S T Q Q S S D
    Jun »
1234567
891011121314
15161718192021
22232425262728
293031  

Últimas Linhas

Dados

Tempo

SCOLARI (1)

Conhecidos os 23 eleitos, voltou (como era esperado) a polémica em torno do nosso Seleccionador.

Como qualquer "macho lusitano" que se preze, também eu tenho opinião! (esta foi uma provocação gratuita aos elementos femininos deste blog…)

Há duas características que fazem um grande treinador:

  • «competências técnicas», isto é, conhecimento das componentes estratégicas, tácticas e técnicas que condicionam os resultados.
  • «competências psicológicas», ou seja, capacidade de liderança para dar carácter às suas equipas, espírito de conquista, resistência psicológica.

Este segundo vector é, normalmente, desprezado. Mas é ele que faz a diferença.

É por isso que equipas repletas de grandes jogadores, muitas vezes, nada ganham (um bom exemplo é o Real Madrid dos últimos anos); e outras equipas, com jogadores medianos, conquistam títulos (veja-se o Boavista campeão nacional há uns anos atrás, ou a Grécia campeã europeia em 2004).

Vem isto a propósito da Selecção Nacional.

Actualmente, temos a melhor equipa de sempre. Fomos vice-campeões europeus e conseguimos a qualificação para o Mundial com uma serenidade nunca antes vista. Nem em 66 conseguimos uma fase de sucessos com tanta longevidade.

Porque será? Serão estes, tecnicamente, os nossos melhores jogadores de sempre?

Não creio!

Aliás, a anterior geração, que só nos trouxe desilusões, é que era a "geração de ouro", lembram-se?

Então, a que se deverá esta fase de sucesso?

Julgo que há 3 factores essenciais:

  1. O efeito Mourinho - a par da excepcional «competência técnica», que faz do futebol uma ciência, Mourinho criou raízes com a sua atitude de profissionalismo e de conquista, a sua determinação, os seus "mind games". O ciclo de vitórias desta Selecção começou no dia (2º jogo do Euro 2004) em que passou a assentar na "força psicológica" do esqueleto da equipa do FCP que ganhou a Taça UEFA e a Champions League.
  2. O efeito Bosman - a emigração dos nossos melhores (tecnicamente falando) jogadores foi fundamental. Ao seu talento, acrescentou-se uma atitude diferente. Aos seus atributos técnicos, somou-se uma enorme evolução ao nível psicológico. Isso explica que alguns, que não resitiram ao teste de outros campeonatos (João Vieira Pinto, Sá Pinto, Simão ou Quaresma), nunca tenham vingado na Selecção (os dois últimos ainda vão a tempo. Aliás, têm crescido e uma nova aventura no estrangeiro terá certamente outros resultados…).
  3. O efeito Scolari - a Selecção tem hoje um Líder. Alguém que foi capaz de incutir coesão no grupo, disciplina no trabalho, vontade de vencer e a tal "atitude" nos jogadores que, normalmente, nos faltava nas horas H. Sem Scolari, estaríamos, neste momento, a lacrimejar pela ausência do Mundial ou, na melhor das hipóteses, estaríamos às portas de um estágio cheio de "casos" e "episódios" à moda de Saltillo ou da Coreia. Com ele, sabemos que não é assim.

Se hoje, num dia em que alastra a contestação ao Seleccionador, faço a apologia das suas «competências psicológicas» enquanto treinador de futebol, importa dizer que tenho as maiores reservas quanto às suas «competências técnicas». Mas , sobre isso, falarei em próximo post. Até porque, quando falamos de futebol a este nível (num Campeonato do Mundo onde se encontram tantos jogadores "galácticos") isso será o menos importante. O mais difícil de encontrar num Seleccionador, nós temos. O resto é mais fácil. Basta um pouco de sorte…

16 de Maio de 2006 pelas 00:59Autor: Pedro Duarte

Arquivado em: Mundial

Deixe o seu comentário

Obrigatório

Obrigatório

Código HTML permitido:
<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <code> <em> <i> <strike> <strong>