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O Futebol é um negócio II

Hoje, por sugestão do Pedro Duarte no post anterior, li a reportagem da Visão. E atiçou a minha indignação! Sendo um questão global é por estar, neste momento, tão ligada ao Mundial de Futebol 2006 que achei poder referi-la aqui no 4 linhas. Mais do que o negócio que o futebol proporciona nos mais variados sectores, também na prostituição, é o fenómeno do tráfico de seres humanos, e de mulheres em particular, que desperta a minha angústia.

Embora a Alemanha tenha legalizado a prostituição em 2002 é um dos principais destinos das redes criminosas de tráfico de mulheres, na sua esmagadora maioria de leste europeu. E, claro está, com um aumento significativo neste período do Mundial de Futebol. Se a alguns este facto não incomoda, torna-se particularmente grave quando é o próprio Ministério da Cooperação alemão que produz um “Guia de viagem para mulheres”, escrito em russo e destinado a jovens ucranianas incitando, até, à sua entrada clandestina no país. Este triste episódio, condenado publicamente, levou à retirada de circulação de tal manual, conforme descreve a Visão.

Mas este “incidente” é uma gota no oceano.

Sendo a prostituição legal na Alemanha não pode esta circunstância servir para ignorar a actividade das redes criminosas que vendem, torturam e submetem mulheres a uma violência extrema. A troco de uma esperança infantil perdem-se na vergonha de uma vida miserável, reféns da própria clandestinidade. Mas vão aos milhares… Elas continuam a ir. Para paragens desconhecidas e aos olhos de todos. Sem direitos e sós com o corpo. Corpo que, neste caso, alimentará os fervorosos adeptos e as numerosas redes de tráfico!

Uma organização como o Mundial 2006 não pode estar associado à degradação da condição humana. Nós, sociedade ocidental, defensores dos direitos humanos quais paladinos da liberdade e da dignidade humana, por todo o mundo, devemos preocupar-nos com isto. Ou não… Afinal é sexo! E tudo o que o envolve é diversão e prazer. A desgraça e o infortúnio não devem fazer parte deste léxico. É chato. Será assim que pensarão os que rumarão à Alemanha? Afinal, é festa que procuram e não reflexões calamitosas sobre os males da Humanidade. E a Alemanha até é um país civilizado(!). Disse.

Nota:

Àqueles a quem aborreci com este post não peço desculpa porque têm bom remédio: ignorem-no!

Aos que quiseram perder uns minutos com este comentário, peço que compreendam a minha revolta neste desabafo.

 Eu sei que este post é tudo menos animador, Sérgio. Fica o meu lamento…

25 de Maio de 2006 pelas 17:27Autor: Ana Zita Gomes

Arquivado em: Mundial

1 comentário Adicionar agora

  • 1. Sérgio Vieira  |  26 de Maio de 2006 pelas 06:38

    Registro,
    Dra. Ana Zita Gomes.
    Cumprimentos.

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