o outro lado do espelho
Sem nos apercebermos somos permanentemente prisioneiros de uma lógica de pensamento único quando se trata de avaliar uma participação desportiva nacional no contexto de uma grande competição internacional como o é um campeonato do mundo de futebol. A pressão é tanta e o condicionamento mediático tão hegemónico que quem não alinha pela ortodoxia dominante quase tem de se justificar ou pedir desculpa. Um golpe de asa publicitário de uma cadeia de televisão e de um grupo bancário, com o apoio logístico, material e financeiro da administração pública em torno da bandeira nacional é visto como se tratasse de uma acto de generosidade e fulgor patrióticos. A arrogância de um seleccionador é apreciada como sinal de carisma e de liderança. E um município endividado que compra a presença da selecção de futebol no seu território um acto que “enche de orgulho os alentejanos”.
Este país não é o mesmo país que em 1945 recebia com alegria
30 de Maio de 2006 pelas 09:11Autor: José M. Constantino
Arquivado em: Mundial


2 comentários Adicionar agora
1. Jorge Melo | 30 de Maio de 2006 pelas 11:05
Infelizmente o futebol tem esse poder. Mas… o outro lado existe.
2. Tiago Craveiro | 30 de Maio de 2006 pelas 18:06
Ou ao ciclo hegeliano também: Scolari defendeu uma tese e Agostiinho a antítese. No fim do Mundial perceberemos qual a síntese, mas sobretudo, o que resultará de um novo devir.
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