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A memória e o enquadramento histórico recente são instrumentos úteis para uma curtíssima análise à preparação que a selecção nacional de futebol está a fazer para o Mundial da Alemanha. Para quem tem uma absoluta ausência de conhecimentos em matéria de planeamento de treinos, como eu, a opção vai mais pelo sublinhar das diferenças exteriores que se observaram. No mundial da Coreia a selecção foi estagiar para Macau, longe dos portugueses, é verdade, mas muito bem tratada pelos macaenses e, sobretudo, com um programa social também intenso. Mais recentemente, no Euro 2004, o estágio em Óbidos foi de envolvimento permanente da população e os eventos também se amontoaram. A linha em 2006 é a mesma. Tudo para um leigo como eu dizer que as vozes levantadas contra o «excesso de festa» me soam a pouca ciência. Porquê? Porque festa tem havido sempre e se na Coreia foi a vergonha que se viu, no Europeu o resultado foi o melhor de sempre. Posso chamar muita coisa a Scolari, mas não acredito que se renda ou deixe que as cerimónias oficiais prejudiquem o estágio da selecção.

Quanto ao poder político, isso já é diferente. Em 2002, na Coreia, foi representar o Governo o então secretário de Estado do Desporto e, no terceiro jogo, lá foi o ministro dos Negócios Estrangeiros. Desta vez já se anuncia o primeiro-ministro logo para o primeiro jogo. Quando assim é, está fácil de ver que as visitas e fotografias ao estágio batem certo.


2 comentários 01 de Junho de 2006Autor: Tiago Craveiro

Um desporto com muitos praticantes

Não tenciono no próximo Portugal-México deixar de trabalhar para ver o futebol, mas compreendo e respeito que outros vivam este problema de um modo diferente. Razão pela qual não acompanho a onda de críticas, que com o devido respeito considero demagógicas, que a decisão do parlamento suscitou. Se a maioria dos deputados quer ver um jogo da selecção nacional e para esse efeito, não prejudicando as tarefas que têm enquanto deputados, alteram a agenda habitual dos trabalhos parece-me uma medida de bom senso. É óbvio que, no país que trabalha, nem todos podem fazer o mesmo, mas esse facto, de uns não o poderem fazer, em nada limita a possibilidade de os que podem, o façam. E os deputados não são excepção. Não vejo que venha qualquer mal ao país por esse facto. Ou que deslustre o papel e a função de deputado o gostar de assistir a um jogo de futebol da selecção do seu país.Mas,os factos o comprovam, bater nos políticos é um desporto com muitos praticantes.


1 comentário 01 de Junho de 2006Autor: José M. Constantino