Não percebi grande coisa do jogo!
Inibi-me de falar do jogo. Por estas bandas é tudo tão sério, percebem tanto (ou eu percebo tão pouco) que não consegui vir aqui antes falar de como foi o Portugal-Angola na companhia das minhas amigas… talvez por ter consciência de que o que quer que diga, vá sair algo diametralmente oposto ao que já foi dito, com nota negativa aqui para a je. Mas vamos lá em frente… Pois, reunimo-nos todas umas duas horas antes do jogo. Por mais cerveja que haja e por mais adeptas que sejamos, gaja é gaja e não resistimos em fazer uns bolinhos de chocolate que vão muito bem com os queijos que, por conseguinte, vão excelentemente com um vinho tinto do Douro que, como douriense que sou, nunca falta em minha casa. Claro que aquilo só poderia dar para o torto! Começamos a beber, a comer, a rir, a falar e quando começou o jogo, a coisa já estava animada demais para qualquer discernimento factual. Sentamos à volta da TV e atentamente fomos vendo aquele jogo certas que seria canja para os nossos jogadores. Não sei se foi do grau alcoólico a mais, mas a nenhuma de nós nos pareceu que a coisa tenha sida tão fácil quanto faziam querer. Nós estávamos concentradíssimas quando se deu o golo, isto é, logo no início, mas depois descambou. A culpa não é só nossa, mas de quem grava os jogos. A imagem fica tão longe, os jogadores parecem formigas no meio do campo e mal dá para discernir que é quem. E claro que só pode dar asneira. Também houve alguma culpa do nosso lado, porque partimos do princípio que na equipa portuguesa eram só brancos e na Angolana eram só pretos. Errado. Erradíssimo. A dada altura, estávamos concentradíssimas e aparece o João Ricardo: “Nunca tinha visto este nosso guarda-redes. De que equipa é ele?” perguntou uma. “AH! acho que é do Braga”, respondeu outra. Ainda houve quem dissesse:” Acho que é o guarda-redes angolano”, mas aí todas caímos em cima a dizer “daaaaaaaaaaaaaaaaaahhh!, não vês que é português!”. Mas isto complicou-se porque a discussão foi de tal ordem que vezes sem conta não sabíamos quem é que tinha a bola se o Figueiredo (Português???? Angolano????) ou o Miguel (Angolano??!! Português????). Ficamos confusas e a discussão começou e demos por nós a rir, de costas voltadas para a TV, a falar sobre as nossas ex-colónias, passando pela miscelânea bonita que os povos hoje possuem relativamente às suas raças. Por isso, do jogo pouco posso falar a não ser que, tendo em conta a dor de cabeça de ontem, para o próximo jogo vou comprar as famosas cápsulas KGB!
13 de Junho de 2006 pelas 12:14Autor: Carla Rocha
Arquivado em: Mundial


2 comentários Adicionar agora
1. Patricia Pestana | 13 de Junho de 2006 pelas 23:19
Só espero que no próximo jogo (contra o Irão) consiga beber menos, que é como quem diz… o jogo é tão bom que nem dá tempo para beber!
2. Armando Soares | 14 de Junho de 2006 pelas 12:23
Pois é carlinha…
A pedido de várias famílias aqui estou eu de volta.
Do Portugal-Angola algumas considerações “fora das que tenho lido”:
1. Nem tu nem ninguém do teu grupo de amigas me ligaram a pedir qualquer esclarecimento, (o que particularmente me incomoda uma vez que tal como previa ficaram alcoolizadas);
2. Nem os angolanos eram todos pretos, nem os portugueses todos brancos - verdade. Mas também é verdade que nem toda a selecção portuguesa é toda feita de portugueses, pelo que nada me espanta hoje em dia;
3.Por falar nisso, irrita-me ouvir o Scolari a fazer anúncios pela selecção a incentivar ao patriotismo, com o sotaque brasileiro;
4. Ao menos uma fatia do bolo de chocolate espero que me tragas, depois do Portugal-Irão… já nem peço mais nada.
Beijocas.
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