Um dos raros jogos deste Mundial que tive oportunidade de observar, integralmente, foi o Brasil-Croácia.
Foi um bom jogo de futebol, onde se defrontaram duas grandes equipas (e desta afirmação resulta a primeira constatação: afinal, o Brasil não foi uma super-equipa).
A segunda constatação é a de que o sistema engendrado e montado pelo treinador brasileiro, sobretudo no que concerne à linha atacante, não funcionou. Nem Ronaldo, nem Adriano deram conta do recado (às vezes, durante o jogo, naquele eixo central do ataque brasileiro, parecia que os jogadores canarinhos se atrapalhavam uns aos outros).
Vamos a ver se o treinador brasileiro não é um casmurro militante (onde é que já ouvi isto) e se modifica o “sistema” para podermos ver a tão desejada super-super-equipa.
14 de Junho de 2006Autor: Agostinho Branquinho
A curta vitória de Portugal no seu primeiro jogo deste Mundial deve-se, sobretudo, a dois factores: Figo e uma exibição algo conseguida de Angola. Aliás, não fosse o nervoso miudinho com que os angolanos entraram na partida
e penso que a nossa selecção teria passado um bom mau bocado.
Na equipa nacional notou-se bastante a ausência de Deco e alguma falta de ambição.
É certo que o que conta são os três pontos conseguidos, apesar de ser à custa de serviços mínimos.
Agora, é bom que frente ao Irão demonstremos as nossas forças, impondo, nomeadamente, um ritmo de jogo mais acutilante. Uma vitória nesse jogo, poderá valer, desde logo, a nossa passagem à fase seguinte.
11 de Junho de 2006Autor: Agostinho Branquinho
As comemorações do “10 de Junho”, Dia de Portugal que, este ano, tiveram lugar no Porto, impediram-me de observar o início deste Mundial. Mas, hoje, tudo é possível recuperar-se, graças aos instrumentos que a Sociedade do Conhecimento nos coloca à disposição.
E foi assim que lá consegui ver as espectaculares imagens da Cerimónia de Abertura, os excelentes golos do jogo inaugural, a primeira das muitas surpresas que irão ter lugar (neste caso, a derrota da Polónia) e uma Inglaterra ganhadora mas bem longe do que é necessário para se ter expectativas mais altas.
O nosso Presidente da República deu o mote, no discurso oficial do Dia de Portugal: “Num mundo cada vez mais interdependente, globalizado e competitivo, vivemos cada vez mais dependentes de nós próprios, do nosso trabalho …. Sem a coragem dos portugueses teríamos ficado reféns da resignação”.
É esta a táctica. Vamos a eles!
10 de Junho de 2006Autor: Agostinho Branquinho
A fazer fé nalguns post deste espaço de comunicação global que é o “mundial.4linhas.com”, fica bem visível uma das características bem típicas da nossa idiossincrasia nacional: falta de “sangue frio” nos momentos que antecedem algo de realmente importante, seja a que nível for.
Ao longo da vida, fui submetido, muitas vezes, a “exames” dos mais diversos tipos e nos momentos que os antecediam senti, quase sempre, uma enorme calma interior combinada, obviamente, com a natural ansiedade de querer fazer as coisas bem-feitas. Como me costumava dizer um advogado portuense de renome, “há que ter sangue de lagarto”.
Ora, é exactamente essa atitude que devemos manter nos próximos dias. Os dados estão lançados e, se o “trabalho de casa” foi bem feito, agora é só esperar pelos (bons) resultados.
07 de Junho de 2006Autor: Agostinho Branquinho
Naquele que foi o último jogo treino antes do início da nossa participação oficial no Mundial, Portugal venceu, merecidamente, a medíocre selecção do Luxemburgo.
Porém, o que me ficou mais na retina, foi, de novo, alguma instabilidade psicológica (o que provoca toda aquela agressividade negativa) do Cristiano Ronaldo. Isso, infelizmente, não augura nada de bom, no que se refere ao seu comportamento neste Mundial e, consequentemente, no que isso implica na sua prestação como um dos jogadores mais importantes da nossa selecção.
Aqui está uma boa questão para se avaliar as capacidades de liderança do nosso seleccionador nacional.
03 de Junho de 2006Autor: Agostinho Branquinho
O "Diário de Notícias” publicou, recentemente, uma sondagem de acordo com a qual 78% dos portugueses consideram “Bom/Muito Bom” o desempenho de Scolari como seleccionador nacional. Julgo que nenhum Presidente da República, mesmo nos seus melhores momentos de popularidade, foi julgado de forma tão positiva pelos portugueses.
Mas, a questão que se coloca é ter em linha de conta a diferença que vai entre as sondagens e a realidade. Aquelas medem sobretudo expectativas (as quais nem sempre se concretizam).
A ser assim, os portugueses colocaram bem alto o patamar da esperança. Oxalá que tudo corra bem, mas – correndo o risco de ser visto como um “chato” - gostaria de lembrar aquele pensamento segundo o qual “não se devem pôr todos os ovos no mesmo cesto”.
03 de Junho de 2006Autor: Agostinho Branquinho
Apesar da vitória sofrida frente a Alemanha, no Europeu Sub21, não vamos seguir em frente.
Essa situação faz-me pensar em algo paralelo que não tem a ver com futebol, mas sim com o País. Há quem diga que a crise económica que nos vivemos será mais facilmente ultrapassada quando a Alemanha começar a ter um crescimento mais sustentado.
Infelizmente, tal como aconteceu, hoje, com esta “vitória de Pirro”, nada de mais errado: o crescimento da economia alemã não vai ajudar Portugal a sair da crise, como a vitória magra que alcançámos não nos levou às meias-finais.
A moral desta história é simples: confiar o nosso destino na sorte alheia é muito perigoso.
O que é importante é apostarmos, de forma inequívoca, nas nossas capacidades e nas nossas competências (quando as temos). Tudo o resto é pior do que jogar no Euromilhões!…
28 de Maio de 2006Autor: Agostinho Branquinho
É por demais evidente que os portugueses gostam bem mais de “fazer contas” do que “prestar contas”. E isso repercute-se aos mais diversos níveis da nossa vida em sociedade.
No que ao futebol concerne, raramente avaliamos o que de mal fazemos e, quase sempre, andamos com a calculadora no bolso a tentar perceber o que é preciso corrigir para não deixarmos de atingir um qualquer objectivo, por mais singelo que seja.
Vem, isto a propósito da péssima campanha que os Sub21 estão a fazer no Europeu que está a realizar-se no nosso país. Hoje, uma vez mais, lá estaremos a fazer contas a ver se um qualquer milagre nos permite continuar em prova.
Mas, a bem da verdade, o jogo treino de ontem da selecção principal não nos deixa muito descansados. Para evitarmos trabalhos extras, não é mau guardarmos, bem guardada, a calculadora, durante as próximas semanas …
28 de Maio de 2006Autor: Agostinho Branquinho
O início da participação portuguesa no Europeu Sub21 não foi o melhor. Não tanto pelo resultado – que é péssimo – mas antes pelo que os nossos jogadores fizeram em campo – a derrota assenta-nos bem porque os franceses foram sempre melhores do que nós, ao longo de todo o jogo.
Ouvi e li em muitos órgãos de comunicação social que esta é a nossa triste sina – começar com o pé esquerdo, mas logo nos levantamos e damos a volta por cima.
Esta constatação tem o seu quê de verdade, mas encerra em si o que de pior nós somos enquanto povo: não conseguimos definir estratégias e depois ser constantes e persistentes na sua concretização. E depois, lá temos que recorrer à Nossa Senhora de Fátima.
É tempo de cumprirmos o “pacto secreto” que existe: nem a Santa resolve os nossos problemas colectivos, nem nós devemos procurar fazer milagres
24 de Maio de 2006Autor: Agostinho Branquinho
Começa hoje o Euro Sub21 que funciona como uma espécie de aperitivo para o Mundial que se aproxima. Portugal tem especiais responsabilidades e anseios nesta competição: somos o país organizador (e, nessa matéria, temos que manter o mesmo nível do Euro 2004) e possuímos um leque de jogadores de qualidade excelente que nos fazem pensar em mais um título internacional.
Sem querer colocar a fasquia muito elevada nem aumentar os níveis de ansiedade, é legítimo pensarmos que temos equipa para sonhar. Uma boa performance dos nossos Sub21 dará um alento muito especial para o Mundial.
Por isso, temos que pedir aos jovens futebolistas portugueses que não deixem os seus sonhos no armário – soltem-nos que Portugal bem precisa.
23 de Maio de 2006Autor: Agostinho Branquinho
A não convocatória de Quaresma para o Mundial tem provocado uma série de reacções, uma boa parte contrárias à decisão de Scolari.
No futebol – reino supremo das emoções – tudo se esquece quando as vitórias nos sorriem; mas tudo se radicaliza quando as derrotas nos atormentam. Assim, passada esta onda inicial de contestação, Scolari tem umas semanas de tréguas.
Porém, se os deuses não nos protegerem na Alemanha, o seleccionador nacional – um teimoso praticante – não terá vida fácil. E, caso essa infelicidade nos atingir, não há quem não venha a dizer que com Quaresma tudo teria sido diferente.
Ou seja, virá então ao de cima o mito sebastiânico sempre presente na nossa cultura secular. O problema é que o nevoeiro teima em não se dissipar.
17 de Maio de 2006Autor: Agostinho Branquinho
Já a menos de um mês do Mundial, esta enorme festa do futebol começa a agitar o nosso quotidiano. É a prova - se necessário fosse - que o futebol "mexe" com as pessoas, mesmo quando a crise aperta, de forma tão aguda, a nossa vida colectiva, como é o caso presente.
É com uma enorme honra pessoal e um grande prazer que me junto, nesta época futebolística especial (curta porque a minha preparação física já não dá para muito), à equipa do "4 linhas". Espero poder partilhar com todos algumas pequenas reflexões que as matérias relacionadas com o Mundial me vão proporcionar.
Aqui fica a primeira: li, hoje, num jornal diário que o Professor Marcelo Rebelo de Sousa vai ser comentador desportivo da RTP, no decurso do Mundial. Parece-me muito acertada a escolha - o Professor Marcelo tem da política, como é público e notório, uma visão quase exclusivamente lúdica. Ora, como futebol é, sobretudo, entretenimento, nada melhor do que juntar o útil ao agradável.
Sendo titular no futebol as audiências sairão a ganhar. E espero que a discussão política séria ganhe também com o seu defeso.
11 de Maio de 2006Autor: Agostinho Branquinho
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