O meu último post… sinto-me como quando quis escrever o primeiro: não sabia como fazê-lo.
Escrever sobre futebol, para mim, era tão improvável como escrever sobre as Alforrecas – sei que existem, mas passam-me ao lado. Era assim mesmo. E um assunto deixa de passar ao lado quando começa a passar dentro de nós. O futebol começou a passar dentro de mim, dando-me ganas, alegrias, fúrias, atenções, exaustões…
Não percebo muito mais deste desporto do que percebia quando aqui escrevi pela primeira vez, mas isso agora não interessa para nada…
Adorei cada minuto que entre vocês passei.
Adorei cada palavra que li dos meus colegas.
Adorei rever alguns amigos de tempos idos.
Adorei cada comentário que colocaram os comentadores exteriores. Sem eles/as nada disto seria assim, tão interessante. Um especial obrigado para Sílvia Cordeiro, Jorge Melo e Luís Ferreira. Por motivos diferentes, mas acima de tudo por me instigarem ao riso.
Amigo
José Constantino, obrigada por me ensinares o básico de futebol e me dizeres sempre, com esse jeito de quem tem todo o tempo do mundo, o que achavas de cada jogo, de cada jogador. Reconheço que é preciso paciência.
Sérgio Vieira, um beijo grande e espero rever-te um dia destes.
Pedro Duarte, o post da rapariga nua valeu-me um comentário teu… hum!…. já sei o que anima !!!
Ana Zita, cruzamo-nos uma vez mais. É sempre um prazer. Mulheres inteligentes e interessantes são sempre bem vindas. Tudo de bom para ti.
A todos, um grande e sentido abraço.
Por fim, um beijo especial ao Hermínio. Não sei o motivo que te levou a lembrares de mim, mas isso também nada interessa. Fazer parte deste projecto foi delicioso e como delicioso que foi, agradeço-te a oportunidade. És-me especial!
Até sempre…
10 de Julho de 2006Autor: Carla Rocha

10 de Julho de 2006Autor: Carla Rocha

07 de Julho de 2006Autor: Carla Rocha
Após a nossa derrota frente aos franceses, descobri que certas pessoas sofrem de uma nova síndrome a que, amorosamente (por que sou uma querida) dei o nome de “Síndrome Freitas do Amaral”.
Passo a explicar:
Antes da nossa derrota, para alguns iluminados, éramos a melhor selecção do mundo, com o melhor dos melhores treinadores. O Deco uma estrela. O Ricardo o melhor guarda-redes do Universo. O Figo fantástico. O Pauleta sem mácula de pecado. O Ricardo Costa o big-jogador. O puto, Ronaldo, estava maduro….
Depois do jogo de quarta, esses iluminados foram atacados pela nova síndrome e o discurso é:
O treinador é um pouco arrogante, devíamos ter o Mourinho. O Deco só é bom quando lhe dá na real gana. O Pauleta já era. O Figo esforça-se mas já está velho e não consegue mais. O puto ainda tem que amadurecer. A nossa selecção tem sérias dificuldades…
Ontem minha sobrinha, que tem sete anos, ligou-me e perguntou:
- Tia, de que lado é o pau?
- Que pau? – Perguntei.
- O pau da bandeira é do lado verde ou vermelho?
Não resisti e respondi-lhe:
- Querida, antes do jogo era do lado verde, agora já não sei!
Para mim, e independentemente do jogo de sábado, a melhor selecção do mundial, aquela que me enche de orgulho é a Portuguesa. E não obstante de nada perceber de futebol (isto para aqueles que se preparam para me deitar isso à cara) lembro-lhes que o futebol, para além da táctica também tem muito de paixão e de emoção.
E isso ninguém pode dizer que eu não tenho!
07 de Julho de 2006Autor: Carla Rocha
Um amigo ontem disse-me que houve uma mulher que festejou a vitória de Portugal, no passado sábado, completamente nua. Ou seja, andou nua por Lisboa, numa alegria esfusiante e que, certamente, quis que ademais portugueses também ficassem contagiados. Estava eu a pensar que deveria ter causado grandes engarrafamentos e alegrias, aliás, a ver pelas fotografias ela só quer mesmo é dar amor e alegria ao povo, quando esse meu amigo arrematou:
- Bem, mas é preciso notar que a moça tem celulite.
Ora bolas!, queriam o quê? A Eva Herzigova tal como Deus a pôs no mundo? Ou a Angelina Jolie?? Calminha, meus senhores, calminha…
04 de Julho de 2006Autor: Carla Rocha
Uma pessoa que não me conhece disse a um amigo meu:
- A Carla Rocha, a gaja que escreve no blog do mundial, deve ser uma fulana muito masculina e feia como as portas, mas olha que tem sentido de humor!!!!
Não sei se fico feliz ou parto para a violência!!!
30 de Junho de 2006Autor: Carla Rocha
Sérgio, há quanto tempo não te vejo e nem falamos?! Contando por alto, talvez há uns dez anos que não estamos face-to-face. Fiquei contente por te encontrar nestas andanças. Foi como rever um amigo, sem ser da forma mais usual. Mas a amizade tem destas coisas: nem sempre tem moldes rotineiros e prosaicos. Ainda me lembro de um dia me dizeres: “Não gosto muito de viver em Lisboa”, mais tarde dizias: “A noite de Lisboa é muito boa” e sempre te atribui a capacidade de teres as tuas opiniões, mesmo que contraditórias. Porque isso acontece a quem tem ideias: pode mudá-las. E tu, mais do que isso, assumia-las.
Encontramo-nos aqui e nem sei se me lestes com o mesmo entusiasmo com que te lia (tal como o faço com o Pedro Duarte, que também conheço desde então) de cada vez que um post teu tinha lugar aqui, neste ponto de encontro. Entendi a tua alegria quando das nossas vitorias e a tua raiva aquando de situações menos simpáticas. Tu és assim: opinas. Se nem sempre estão de acordo, qual o problema? Nunca te importaste com isso. Sempre foste um democrata, feito de ideias onde defendias a liberdade de expressão, doesse a quem doesse. Agora vais embora? Baixas os braços só porque disseste merda uma série de vezes e isso incomodou algumas pessoas? E depois? Isto é um blog, não é o Diário da Republica. Quem nunca disse “merda” na vida, que atire a primeira pedra. Tens direito à tua opinião bem como os outros têm o direito de se incomodarem e ponto final paragrafo.
O teu registo é o teu registo. Cada um de nós é diferente. Uns mais opinativos, outros com mais humor, uns mais sérios… depois, quem nos comenta também tem o seu registo. Nem sempre estamos de acordo e qual o problema? Na tua vida, já aguentaste mais, já tiveste que superar criticas bem maiores do que as que aqui te teceram.
Se calhar, não me ligas patavina e nem queres saber o que para aqui estou a dizer, mas indiferente a isso, continuo acabando com um voto, um pedido, um desejo de que VOLTES.
28 de Junho de 2006Autor: Carla Rocha
De tanto pensar e sentir o futebol, hoje acordei a sentir-me assim!
14 de Junho de 2006Autor: Carla Rocha
Inibi-me de falar do jogo. Por estas bandas é tudo tão sério, percebem tanto (ou eu percebo tão pouco) que não consegui vir aqui antes falar de como foi o Portugal-Angola na companhia das minhas amigas… talvez por ter consciência de que o que quer que diga, vá sair algo diametralmente oposto ao que já foi dito, com nota negativa aqui para a je. Mas vamos lá em frente… Pois, reunimo-nos todas umas duas horas antes do jogo. Por mais cerveja que haja e por mais adeptas que sejamos, gaja é gaja e não resistimos em fazer uns bolinhos de chocolate que vão muito bem com os queijos que, por conseguinte, vão excelentemente com um vinho tinto do Douro que, como douriense que sou, nunca falta em minha casa. Claro que aquilo só poderia dar para o torto! Começamos a beber, a comer, a rir, a falar e quando começou o jogo, a coisa já estava animada demais para qualquer discernimento factual. Sentamos à volta da TV e atentamente fomos vendo aquele jogo certas que seria canja para os nossos jogadores. Não sei se foi do grau alcoólico a mais, mas a nenhuma de nós nos pareceu que a coisa tenha sida tão fácil quanto faziam querer. Nós estávamos concentradíssimas quando se deu o golo, isto é, logo no início, mas depois descambou. A culpa não é só nossa, mas de quem grava os jogos. A imagem fica tão longe, os jogadores parecem formigas no meio do campo e mal dá para discernir que é quem. E claro que só pode dar asneira. Também houve alguma culpa do nosso lado, porque partimos do princípio que na equipa portuguesa eram só brancos e na Angolana eram só pretos. Errado. Erradíssimo. A dada altura, estávamos concentradíssimas e aparece o João Ricardo: “Nunca tinha visto este nosso guarda-redes. De que equipa é ele?” perguntou uma. “AH! acho que é do Braga”, respondeu outra. Ainda houve quem dissesse:” Acho que é o guarda-redes angolano”, mas aí todas caímos em cima a dizer “daaaaaaaaaaaaaaaaaahhh!, não vês que é português!”. Mas isto complicou-se porque a discussão foi de tal ordem que vezes sem conta não sabíamos quem é que tinha a bola se o Figueiredo (Português???? Angolano????) ou o Miguel (Angolano??!! Português????). Ficamos confusas e a discussão começou e demos por nós a rir, de costas voltadas para a TV, a falar sobre as nossas ex-colónias, passando pela miscelânea bonita que os povos hoje possuem relativamente às suas raças. Por isso, do jogo pouco posso falar a não ser que, tendo em conta a dor de cabeça de ontem, para o próximo jogo vou comprar as famosas cápsulas KGB!
13 de Junho de 2006Autor: Carla Rocha

Para o jogo de domingo optamos por uma roupa a condizer. Como o tempo tem estado bem quente, nada de tops como houve no Euro2004 e que já cheiram a naftalina, nã! nã! nã! Fomos às compras. Eu e as restantes quatro amigas que já somos adeptas do desporto-rei, optamos por ver as opções em mercado (é desta que as feministas me lançam pra lareira!) e optamos por ver o jogo com a roupinha a condizer como mostra a imagem. Claro que nenhuma de nós tem este corpinho da namorada do Ronaldo… pois, em definitivo, mesmo que quiséssemos já não íamos a tempo (bem, mas somos mais inteligentes, com mais sentido de humor e etc… pois, pois abelha!), mas dá para ficarmos confortáveis.
Já só faltam os golos!
09 de Junho de 2006Autor: Carla Rocha
Está lançado o pânico entre os casais meus amigos. Ou melhor, entre os esposos das minhas amigas. Tudo por culpa do mundial e desta febre que me acometeu de há uns dias a esta parte.
Se tenho de estar por dentro do mundo do futebol resolvi, por motivos óbvios, envolver também as minhas amigas. Não foi nada fácil ao início, mas com jeitinho tudo se consegue e a verdadeira amizade requer sacrifícios.
Comecei por, de mansinho, abordar o tema futebol pelo lado mais prosaico e também mais interessante, ou seja, a qualidade dos jogadores enquanto machos latinos, do tipo “Já repararam como o Figo está cada vez mais giro?” ou “ O Costinha até é um homem interessante, não acham?”. Depois, à medida que o tempo foi passando, as questões abordadas eram cada vez mais profundas e complexas do tipo: “Se o Deco se naturalizou Português, por que é que o dentuço do Ronaldinho Gaúcho não faz o mesmo?”. Já estão a ver o nível em que já vamos?! Qualquer uma de nós está apta para ser comentadora de qualquer órgão de comunicação social. E pronto!, a febre pegou de tal forma que resolvemos juntarmo-nos todas no próximo domingo a ver o futebol. Entornou-se o caldo. Começaram os “E quem faz o jantar?”, “E os miúdos?”, “Vais ver o futebol? Mas o que é que te deu de repente?”, and so one. Elas argumentaram da melhor maneira possível: “desenrasca-te”. Amuos, birras e muito mais existem no meio destes casais. Eu tento passar ao lado de tudo isto. Comprei uma grade de cerveja (Boémia e Tuborg, porque são as minhas favoritas – vês Jorge Melo, estou mesmo no bom caminho!), armazenei minha despensa com tapas e patés e os queijos mais variados (agora veio-me à memoria o Pauleta… vêem, meu pensamento está sempre nos jogadores). Comprei uns pufes para as moças estarem confortáveis e tenho tudo preparado para Domingo.
Eles parecem baratas tontas a pedirem a amigas e pais para ficarem com os putos. Andam em roda-viva sem saberem o que se passa na cabeça delas e já infestaram meu telefone com bocas menos simpáticas. Uma delas já amuou de vez e pediu-me guarida. Nada disso interessa. Todos os sacrifícios são bem vindos pela nossa selecção. Depois disto, poucos serão os que gostam de ter a esposa adepta do futebol e ainda por cima à hora do jantar. A igualdade fica-lhes tão bem!
08 de Junho de 2006Autor: Carla Rocha
Já me envolvi completamente no mundo do futebol, mais precisamente no Mundial. Quer dizer, tentei envolver-me no Sub21, mas como isto de me envolver não é com duas tretas e demoro o meu tempo, quando estava quase quase a conseguir, os moços foram à vida. Tudo bem. E a vida continua. Mas como ia dizendo, o mundial já cá vai ficando entranhado: coloquei uma bandeirinha de Portugal no carro, um cachecol por cima do tablier, na varanda da minha casa mais uma bandeira, leio os jornais desportivos e, assim que vejo alguém, a primeira abordagem é versando a temática do futebol. Estou tão bem encaminhada que até admirei a fulana gira que o Pedro Duarte colocou quando os nossos ‘piquenos’ perderam o primeiro jogo e a que chamou “Apontamento Machista”. Só não percebo porque não colocou mais. A esta altura já tínhamos, pelo menos, três beldades semi-vestidas. Bem, a verdade é que apreciei a moça. Olhei ao pormenor e até liguei para uns amigos a comentar os atributos. Estou mais ou menos com espírito desportivo. No entanto, aquele jogo a brincar com Cabo Verde deixou-me apreensiva. Ganhamos, é verdade. O jogo teve três intervalos e no meu estudo ainda recente, pensei que jogo que é jogo, tem um intervalo. Depois o nosso seleccionador, face à pergunta qual o melhor jogador em campo, diz que foram as dez mil pessoas que estavam nas bancadas??!! Pensei: este senhor saberá o que está a fazer? Naquele momento deitei as mãos ao céu e agradeci a todos os santinhos não ter ido a Évora. Caso contrário, o Mister poderia olhar para mim nas bancadas e ainda era convocada para a selecção. E como sabem, adepta ainda posso ser, ter bandeiras por todo o lado também, ficar consolada com umas moçoilas bem feitas quando se perde um jogo, vai que não vai, mas jogar é coisa que, por mais que me peçam, jamais farei.
31 de Maio de 2006Autor: Carla Rocha
Estava muito bem refastelada no sofá a ver um qualquer programa da SIC Mulher quando meu telemóvel tocou e o meu amigo Constantino informou-me, a rir, mesmo a rir, como só alguém que me conhece bem o poderia fazer, que eu tinha o meu nome num blog onde o tema era o Mundial de futebol. Primeiro, fiquei incrédula e depois, juntei o meu riso ao dele e ainda pensei “AH!, só pode ser engano!!”. Mas não, não era. O Hermínio tinha mesmo tido a ousadia (creio que depois de começar a escrever umas coisinhas sem nexo, ele retira-me do blog) de me colocar a dar uns bitaques sobre futebol. Bem, depois do choque inicial, lá me meti de novo no sofá e resolvi fazer um exercício mental sobre o que sabia sobre o futebol. Em cinco minutos tinha tudo resumido. Foi fácil. Lembro-me ser miúda e ter de optar entre o Benfica e o Porto. Meus pais e irmão eram benfiquistas, mas o Porto tinha o Fernando Gomes, o Futre… do Benfica só me lembrava do guarda-redes Bento, desgrenhado, a defender a baliza vermelha. Percebem? Optei pelo Porto até hoje, sem grandes desgostos, quando perdemos, e sem entrar em êxtase quando ganhamos. Ou seja, tenho uma relação pacífica como muitos casais não têm. Um casamento morno, até aos dias de hoje. Nada de noites sexuais desenfreadas, nem discussões de meia-noite. Fui à inauguração do lindo Estádio do Dragão ver o pobre espectáculo de magia. Gostei de ter o Deco entre nós. Fui para o Hospital quando no Euro2004, após uma operação à coluna, dei saltos de contentamento com a nossa andança quase, quase vencedora. E chegamos aos dias de hoje, comigo a dizer alguma coisa no blog de um prestigiado homem de Estado. Não sei… não sou daquelas mulheres que goste de futebol. Que conheça os nomes dos jogadores, ou mesmo que aprecie o rabo do Figo e as pernas do Baía. Não sou, confesso. Lembro-me de um dia entrar num jogo amigável na faculdade e de me terem perguntado qual a posição que gostaria de ter. Face à pergunta estranha e de perceber que era de futebol que falávamos, respondi que era uma qualquer. Foi-me atribuído a defesa direito e, não obstante da dor de burro que me acompanhou o jogo todo, devo dizer que nem na bola consegui tocar. Meu pai filmou e, quando vejo as imagens, parece que sofria de dislexia porque estava sempre onde não estava a bola. E finito. Nunca mais futebol. Até hoje. Resolvi telefonar a um amigo que fala muito de futebol. Pedi-lhe um resumo rápido de forma a me inteirar das coisas do Mundial. Ele começou e a dada altura fala-me de um Quaresma. Perguntei-lhe quem era o Quaresma. Ele, irritado, disse: Esquece! Tu não sabes o básico!!! E pronto, hoje nada mais sei, mas vou comprar as Bolas, os Records e os Jogos todos e ler durante uns dias. Só compro as Máximas e as Vogues quando falarem de futebol. Daqui a uma semana serei uma expert no assunto. Escreverei coisas interessantes. Serei um must em termos futebolísticos. Tudo por amizade ao meu amigo. Mas quando tiver um Blog profundamente feminino, vingar-me-ei quando pedir ao Hermínio um texto sobre o SPM (Síndrome pré-mestrual). Juro!!!
17 de Maio de 2006Autor: Carla Rocha