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Fim de festa

Mesmo para quem não aprecia o futebol o Mundial foi incontornável como objecto de análise e comentário. A comunicação social foi disso fiel retrato, por vezes,pelo menos para o meu gosto, de modo excessivo. E se como fenómeno social o seu tratamento, concorde-se umas vezes, discorde-se outras, foi interessante o jogo e a competição propriamente ditos, foram fracos mantendo uma tendência de há vinte anos. Curiosamente conquistado por um país, a Itália, a contas com um escândalo de corrupção no futebol caseiro este Mundial jogado preferencialmente cá atrás, não nos deixa um novo esquema táctico, novos talentos ou um novo goleador. E para fim de festa apresenta como melhor jogador,alguém que terminou precocemente o último jogo porque agrediu um colega à cabeçada. Apesar de tudo um Mundial que merecia melhor epílogo.


1 comentário 10 de Julho de 2006Autor: José M. Constantino

Um grande jogador e um homem correcto

Ricardo Carvalho assumiu que cometeu falta para grande penalidade no lance com T. Henry. Um grande jogador e um homem correcto. Um exemplo que contrasta com o de jogadores como   Abel Xavier ou  João Pinto que,no passado, sempre negaram o que todos vimos.


2 comentários 06 de Julho de 2006Autor: José M. Constantino

Não me parece

Portugal perdeu o jogo com a França por causa do árbitro? Francamente, não me parece. E, por isso, não encontro quaisquer razões, a não ser por momentânea pressão emotiva face a um  desfecho desfavorável, para se poder afirmar que “arbitragem foi uma vergonha para a América do Sul”.


2 comentários 06 de Julho de 2006Autor: José M. Constantino

Estranha votação

O Correio da Manhã tem, diariamente, na edição on line uma pergunta para que os leitores possam votar sobre a forma, sim ou não. O universo dos participantes envolve alguns milhares de leitores e embora os resultados não tenham qualquer rigor científico representam a opinião dos que votam e são muitos. A pergunta de ontem era o de saber se para Portugal era ou não positivo a renovação do contrato com Scolari. Resultados finais: 29% acham que é positivo;71% acham que é negativo. Num treinador vitorioso e que, independentemente dos resultados a alcançar nesta última fase do Mundial, tem indiscutivelmente uma carreira ao serviço de Portugal francamente positiva como explicar tão estranho resultado? O que se passou com esta votação e que motivos encontram tantos votantes para achar que é negativa a renovação de contrato com Scolari?


1 comentário 05 de Julho de 2006Autor: José M. Constantino

Fui feliz!

“Fui feliz”, disse com modéstia Ricardo. Uma felicidade que conseguiu que Portugal passasse às meias  finais do Mundial de futebol. E fazer esquecer que dois colegas seus falharam a marcação de grandes penalidades. Mas o que a história do mundial vai registar é o seu feito e o que ele permitiu em termos competitivos a Portugal. Não a infelicidade ou aselhice dos seus dois colegas. Prova que o registo sobre um acontecimento não é uma simples reprodução da realidade mas o que o dela seleccionamos como socialmente relevante num determinado contexto.


2 comentários 03 de Julho de 2006Autor: José M. Constantino

O Vasco gosta de futebol

É a notícia do dia porque a demissão de Diogo Freitas do Amaral estava de há muito anunciada.Apesar de nem sempre o parecer, Vasco Pulido Valente é uma pessoa normal.E gosta de futebol.Como ele próprio afirma na sua crónica no Jornal Publico, "cumpro o calendário com um rigor quase obsessivo e não perdi,mesmo na fase preliminar,mais do que meia dúzia de jogos".O Mundial tem  em VPV um espectador atento e interessado o que deixa, o José Pacheco Pereira ( não tenho informações fidedignas sobre a  Constança Cunha e Sá mas  já desconfio. ..),cada vez mais só no seu perturbante anátema contra o futebol.


2 comentários 30 de Junho de 2006Autor: José M. Constantino

Depois do jogo

O envolvimento emocional que o dramatismo de uma competição desportiva arrasta nem sempre nos dá o distanciamento necessário para com isenção avaliarmos as peripécias de um jogo de futebol. O tempo dá-nos a frieza que o imediatismo  dos comentários porventura não permitem.

O Portugal - Holanda foi um jogo carregado de emotividade onde o árbitro não esteve bem no que foi acompanhado por jogadores de ambas as equipas. Venceu quem marcou e lutou para defender a vitória. Felizmente foi Portugal.


Adicionar comentário 26 de Junho de 2006Autor: José M. Constantino

Um poder redondo

El poder del fútbol é o título do dossier especial que o Vanguardia  editou em Espanha a propósito do Mundial na Alemanha.Estudos interessantes para os que se interessam pelo poder político, social, cultural, económico e tribal que suscita o maior espectáculo do mundo. Como se assinala no editorial o futebol é um poder redondo, o único que, à escala global, escapa ao poder dos Estados Unidos.


Adicionar comentário 16 de Junho de 2006Autor: José M. Constantino

Sugestões

Anda tudo muito nervoso o que é diferente de andar tudo muito excitado. As folgas podem ajudar a superar esta última mas a deixar presente a outra. Os treinos acabam mais cedo e o treinador como se costuma dizer ”perde as estribeiras” por coisas, aparentemente, de menor importância. Na impossibilidade de antecipar a competição, que ajuda a sublimar o nervoso e a excitação, algumas medidas profiláticas se sugerem :a ida à Alemanha de uma delegação de mulheres integrando as oficiais e as oficiosas para confraternizarem com os jogadores quando houver folgas; a realização de um churrasco brasileiro comandado pelo técnico Murtosa para  convívio de todos e fomentar o espírito de equipa; o treino de bolas paradas devendo a barreira ser constituída pelos proscritos de Scolari (o Miguel Sousa Tavares, o Rui Santos ,o António Pedro de Vasconcelos e a Judite de Sousa).


Adicionar comentário 06 de Junho de 2006Autor: José M. Constantino

Folga é folga

Folga é folga.E na noite luxemburguesa alguns jogadores da selecção portuguesa aproveitaram para conhecer os encantos da terra que acolhe uma parte significativa da comunidade portuguesa emigrante.A condição física é excelente e uma noite em claro e em festa não é nada que não possa ser recuperado nesta fase da preparação.Folga é folga!


Adicionar comentário 05 de Junho de 2006Autor: José M. Constantino

O Mundial e a economia alemã

O instituto de avaliação económica alemão DIW, sedeado em Berlim, estima que o Mundial naquele país não traga qualquer impulso significativo à economia alemã. Isto apesar de esperar receber cerca de um milhão de visitantes estrangeiros. Mas o DIW entende não dever sobrevalorizar o impacto da despesa destes visitantes sobre o consumo global até porque, espera que uma parte dos alemães antecipe férias e saia do país num fenómeno similar ao ocorrido em outros países que recebem grandes eventos desportivos.

Este cenário é contrariado pelo sector alemã de publicidade que prevê um crescimento dos negócios em cerca de 3,5 % e pela câmara de comércio e indústria alemã que prevê a criação de 60.000 novos postos de trabalho durante o Mundial. Lá com cá (Euro,2004) os economistas esgrimem com números e não se entendem. O futuro dirá quem está certo.


1 comentário 02 de Junho de 2006Autor: José M. Constantino

Um desporto com muitos praticantes

Não tenciono no próximo Portugal-México deixar de trabalhar para ver o futebol, mas compreendo e respeito que outros vivam este problema de um modo diferente. Razão pela qual não acompanho a onda de críticas, que com o devido respeito considero demagógicas, que a decisão do parlamento suscitou. Se a maioria dos deputados quer ver um jogo da selecção nacional e para esse efeito, não prejudicando as tarefas que têm enquanto deputados, alteram a agenda habitual dos trabalhos parece-me uma medida de bom senso. É óbvio que, no país que trabalha, nem todos podem fazer o mesmo, mas esse facto, de uns não o poderem fazer, em nada limita a possibilidade de os que podem, o façam. E os deputados não são excepção. Não vejo que venha qualquer mal ao país por esse facto. Ou que deslustre o papel e a função de deputado o gostar de assistir a um jogo de futebol da selecção do seu país.Mas,os factos o comprovam, bater nos políticos é um desporto com muitos praticantes.


1 comentário 01 de Junho de 2006Autor: José M. Constantino

Preparar o Mundial

Comentar o modo como se prepara a participação num desporto colectivo para uma grande competição internacional é matéria de especialistas, pelo que tudo quanto se possa dizer ou escrever tem essa condicionante e deve ser feito com prudência. Não somos especialistas.Mas existe um princípio geral que quem acompanha estas matérias não ignora: só se joga o que se treina pelo que se deve treinar como se pretende jogar. A literatura do treino desportivo aborda abundantemente este principio que o Jorge Araújo em muitos dos seus livros trata tomando como exemplo o basquetebol, e que o José Mourinho igualmente pratica de acordo com literatura recentemente publicada.

Vem tudo isto a propósito da opção de, a seguir a uma época desportiva desgastante, se ter escolhido para início de preparação um local com elevadas temperaturas. As adaptações orgânicas são complexas e vão ser subitamente alteradas pela mudança de local onde a preparação vai continuar. Não teria sido preferível escolher um local de preparação/adaptação próximo das condições que a equipa vai encontrar na Alemanha? O que se fez não está em contradição com tudo o que um razoável fisiologista aconselharia?

É certo que, tal facto, em nada determina o resultado da competição. O problema é o de saber se tudo é feito no sentido de ter a equipa, após uma época pesada, nas melhores condições competitivas.O estágio em Évora,financeiramente, foi bom para a Federação.Espera-se que o seja também desportivamente


5 comentários 31 de Maio de 2006Autor: José M. Constantino

o outro lado do espelho

Sem nos apercebermos somos permanentemente prisioneiros de uma lógica de pensamento único quando se trata de avaliar uma participação desportiva nacional no contexto de uma grande competição internacional como o é um campeonato do mundo de futebol. A pressão é tanta e o condicionamento mediático tão hegemónico que quem não alinha pela ortodoxia dominante quase tem de se justificar ou pedir desculpa. Um golpe de asa publicitário de uma cadeia de televisão e de um grupo bancário, com o apoio logístico, material e financeiro da administração pública em torno da bandeira nacional é visto como se tratasse de uma acto de generosidade e fulgor patrióticos. A arrogância de um seleccionador é apreciada como sinal de carisma e de liderança. E um município endividado que compra a presença da selecção de futebol no seu território um acto que “enche de orgulho os alentejanos”.

Este país não é o mesmo país que em 1945 recebia com alegria
em pleno Estádio Nacional o panfleto mandado distribuir por Salazar “O que nós queremos é futebol”.Há muita diferença desde logo o de se poder ter a liberdade de exercer uma acção critica. Mas existe alguma similitude na matriz cultural que, em torno de um grande eventos desportivo, oculta as condições concretas em que decorre e descontextualiza o respectivo modo de produção. Talvez fosse de voltar a Hegel e à sua crítica da alienação. Sei que o tema não é cómodo mas é a liberdade de pensar o que também se joga no modo como se aprecia e interpreta este Mundial. Para além dos golos, dos resultados e do vencedor.


2 comentários 30 de Maio de 2006Autor: José M. Constantino

Agostinho Oliveira

Agostinho Oliveira é um homem simples, sério e trabalhador mas que nunca conseguiu afirmar-se por si próprio. Viveu sempre numa hierarquia de importância atrás de outros. Quando as coisas corriam bem era uma vitória do colectivo. Quando correm mal é culpa própria .A vida nem sempre é justa mas é assim. Por vezes é mesmo cruel.

Se tivesse lido bem o que tinha pela frente não tinha dito o que disse, escassos dias antes do Europeu. Mas ao ser deixado só pelo presidente da Federação e enxovalhado publicamente por Scolari - naquele estilo de coronel sul americano que faz as delícias do Professor Marcelo - só tinha uma saída : regressar imediatamente a casa. Não é que não tivesse razão no que dizia – Scolari nunca ligou ás restantes selecções - mas deixou de ter condições de respeito e de confiança por quem se assumia como o responsável e que sempre o tratou como um criado.E Agostinho aceitou como o têm aceite os restantes membros da equipa técnica que não pertencem ao clã brasileiro. Resta-lhe, se tiver arte e engenho suficientes, lembrar que quem primeiro deve assumir a derrota é precisamente aquele que publicamente veio dizer ser o responsável por todas as selecções.


1 comentário 29 de Maio de 2006Autor: José M. Constantino

FÉRIAS na SUíÇA

Na Suíça, oferecem-se serviços às mulheres cujos maridos durante o Mundial vão ficar especados em frente dos televisores a beber cerveja e a gritar golo. Em Portugal as mulheres dão bandeira pelo futebol. Como dizia um amigo meu, por este andar, durante o Mundial, vou passar uns dias à Suiça.


2 comentários 22 de Maio de 2006Autor: José M. Constantino

Para a Alemanha de peito feito

Gostei, gostei mesmo muito, da linha de vestuário apresentada para a nossa selecção. Há um toque de elegância e bom gosto. Melhoria ainda mais se os jogadores aprendessem a fazer o nó da gravata. Mas paciência!

Gostei também da cerimónia com muita “beautiful people”. Mas do que mais gostei foi do decote da Fátima Lopes, a estilista de serviço, que, desta vez, conseguiu fazer uma peça de vestuário sem cortes, sem tiras e sem buracos. Está de parabéns! Mas voltemos atrás que o mesmo é dizer ao decote. Por momentos, esqueci como o Figo protege a bola ou o Cristiano Ronaldo centra para a área adversária. Com um decote daqueles é todo um Portugal que se levanta, se entusiasma e se projecta. Ainda não marcámos qualquer golo mas já começámos a marcar pontos. Podemos não vencer o Mundial mas vamos para Alemanha de peito feito. E bem feito


1 comentário 19 de Maio de 2006Autor: José M. Constantino

Que venha o Futebol!

Anseio pelo Mundial. Pelos jogos, pelos golos, pelas imagens, pela competição, pelo futebol.

Anseio que termine o pesadelo dos treinos, das entrevistas, das reportagens pindéricas, das bandeiras humanas, dos "fait -divers", das frivolidades, dos noticiários toscos.

Anseio para que o Cristiano Ronaldo comece a fazer o que sabe - jogar futebol - e nos liberte de dar entrevistas.

Peço que o Scolari cumpra bem aquilo para que é pago e deixe de insultar a inteligência das pessoas.

Temo que o país se transforme numa espécie de "TSF em bancada central".

Temo que a febre do futebol dê férias à política.


Adicionar comentário 18 de Maio de 2006Autor: José M. Constantino