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POIS É… SCOLARI

Pois é. O Scolari, que não convocou o Quaresma e  treinou sob o tórrido calor alentejano, soma a décima segunda vitória consecutiva em Mundiais.

Pois é. O Scolari, que teimou em chamar o Costinha e, casmurro, deixou, para não variar, o Vítor Baía fora dos convocados, conduziu Portugal às meias-finais.

Pois é. O Scolari, que fez este adormecido Portugal acordar para um nacionalismo saudável, agora, é o maior, carago.

Pois é. O Scolari até tem de assinar já contrato com a Federação.

Pois é. O Scolari até deveria estar no lugar do Parreira.

Pois é. O Scolari é um treinador com "estrela". Com uma diferença relativamente a outros treinadores: faz por tê-la.

Pois é. O Scolari é sagaz, sabe ter os jogadores na mão, consegue fazer deles uma equipa.

Pois é. O Scolari domina os fundamentos do jogo, dentro e fora de campo, como poucos, sublinhe-se.

Pois é. O Scolari, que tenho o privilégio de conhecer, fora dos relvados, é um homem de bom senso, inteligente, que não deixa que lhe mordam os calcanhares, que não permite ataques –ingénuos, estúpidos, encomendados, torpes, duros ou  cruéis — às equipas que dirige.

Pois é. O Scolari também tem os seus defeitos. Não ganha tudo. Não sabe tudo. Não é feliz em todas as críticas. Mas é, seguramente, um grande treinador e, se calhar, até mais do que isso - presidente.

Pois é. O Scolari até pode perder na meia-final, mas já deixou o País feliz  e, com certeza, até fará com que os brasileiros façam figas e metam velas para que Portugal, desta vez, consiga vingar-se da França. Por eles, brasileiros; por nós, Portugueses.

Pois é. O Scolari fez, já no Europeu, com que os portugueses voltassem a gostar da Selecção e, acima de tudo, a respeitá-la. Só por isso Portugal deve-lhe muito.

Pois é. o Scolari é o seleccionador que gostaria de ver por muitos mais anos, neste registo, de seriedade, confiança, alegria e capacidade, à frente de uma equipa que voltou a ser de todos nós.

PS — Apesar de tudo, jamais esquecerei que nenhum treinador brasileiro conseguiu impor-se, ao mais alto nível, em nenhum clube da velha Europa.

 


1 comentário 01 de Julho de 2006Autor: Ricardo Tavares

SUBSÍDIO À CASA DAS SELECÇÕES

Li e não quero acreditar. Vi escrito que o sr. presidente da Câmara Municipal de Sintra estava a ponderar atribuir uma subvenção de 100 mil euros ao pobre do Castelo Branco e à sua experiente mulher para a recuperação da casinha do multifacetado casal. Só pode, mesmo, tratar-se de um equívoco. Sinceramente, não estou a ver o edil Fernado Seara a faltar ao respeito à inteligência dos portugueses, em particular dos sintrenses. Até porque o autarca viseense sabe, como diria o seu conterrâneo e presidente da Associação Nacional de Municípios,  Fernando Ruas, que não basta haver "respeito por quem foi eleito pelo povo". É preciso, igualmente, respeitar o povo.

Deve ter sido mesmo engano, um erro de simpatia. Os 100 mil euros, imagino, destinar-se-ão à compra de pedras para a construção, no concelho de Sintra, da famigerada Casa das Selecções e não para a casa do senhor dos anéis.


2 comentários 30 de Junho de 2006Autor: Ricardo Tavares

Com pés e sem cabeça

José Manuel Constantino, homem de bom senso e desportista com visão periférica, já fez um apelo à inteligência, de forma singela, mas eficaz. O tempo, de que nos falava, é, realmente, o melhor conselheiro, permitindo-nos o equilíbrio necessário para fazermos juízos. E, mesmo assim, a contragosto, quantas vezes?, acabamos por ver as moscas a rondar.

A prática desportiva, reiterada, de rendimento ou de simples lazer, ensinou-me, também, a fazer, sempre, um esforço por ser ponderado. E a profissão, mesmo feita, esmagadoramente, em contra-relógio, também me aconselhou a olhar para os números e para os factos com frieza e distância, mesmo quando se tratava de futebol, que é, por exemplo, paixão. O Desporto e a profissão são, pois, uma boa estratégia para abordar o futebol com profundidade, desde os seus principais fundamentos ao que ele gera.

Dito isto, sublinho que se continua a gastar demasiado tempo com os árbitros. E a surpresa, para mim, é que as críticas, afinal, extravasam as nossas fronteiras. Não falo, naturalmente, do simples apaixonado pelo futebol. Refiro-me a figuras de tal indústria, a Beckenbauer e a Blatter. Em particular ao presidente deste negócio global, que devia ter o tento que outros não têm na língua, ou seja, os denominados doentes, os que não têm visão periférica, os que não sabem o que é o ‘fair play’, os que, afinal de contas, confundem desportivismo com clubismo ou, perdoem-me o atropelo, seleccionismo.

O sr. presidente da FIFA veio criticar o sr. Inavov, que errou para um lado e para outro. Esqueceu-se de dizer que o organismo que dirige é que escolhe os árbitros. Esqueceu-se, pois, de estar calado.

Agora, em Portugal, o secretário de Estado do Desporto até parece que escolhe o seleccionador . E, ainda por cima, tem a lata de o dizer publicamente. Na Rússia também era assim. Mas entre os eslavos era natural que houvesse mais Estado.

A despeito de tanta asneira, faço fotos que ninguém mande "correr à pedrada" o srs. Blatter e Laurentino Dias. Seria mais uma atitude com pés e sem cabeça.


Adicionar comentário 28 de Junho de 2006Autor: Ricardo Tavares

Figo - um exemplo

Figo, um capitão na verdadeira acepção do termo, somou a 123ª internacionalização e jogou mais 80 minutos com prazer. É um exemplo para a equipa, para os futebolistas e desportistas portugueses que pretendam atingir a excelência. Mas é, igulamente, um paradigma para a sociedade, um estímulo para um Portugal cada vez mais casmurro, mais mal educado, mais sem vontade de vingar. Essencialmente, por uma razão: alia a competência ao prazer. E, fá-lo, sempre, de forma formosa e segura. Com equilíbrio, contrariando a regra portuguesa do exagero, do oito e do 80. O desempenho de Figo no Mundial deve constituir referência em matéria de bom senso para os companheiros e para os restantes nove milhões e tal de treinadores da periferia da Europa. Passo a passo, com humildade e eficácia, se constrói uma carreira de sucesso. Por outras palavras: não podemos desesperar com os últimos 45 minutos menos conseguidos ante o México, nem devemos pensar que Scolari vai estar, eternamente, imune às derrotas. Temos de ser moderados, na vitória e no empate, iinteriorizando, sempre, a necessidade de sermos cada vez mais fortes no trabalho.

Bom trabalho a todos!


2 comentários 21 de Junho de 2006Autor: Ricardo Tavares

Sem jogar bem

As grandes equipas dos desportos colectivos, que são maduras a jogar, conseguem ganhar os jogos sem atingir a excelência. Portugal manteve esse registo. E espero que o faça em mais quatro desafios.


Adicionar comentário 17 de Junho de 2006Autor: Ricardo Tavares

Ucranianos

Domingo, não se esqueçam: seremos todos ucranianos. Termos, assim, uma oportunidade de dizer que gostamos não só da sua companhia, mas, também, do seu contributo para a sociedade portuguesa. João Paulo Bessa, antigo seleccionador nacional de râguebi, um homem do Desporto, de costa a costa, com visão periférica e um olhar acutilante sobre o sector, avisou-me. Eu passo a palavra. Espero que Agostinho Oliveira e o seu chefe façam o mesmo


Adicionar comentário 02 de Junho de 2006Autor: Ricardo Tavares

“O Dia Seguinte”

Já lá vão uns anos. A pedra ainda deve lá estar, mas a Casa das Selecções continua a ser uma miragem. O  Governo, depois do propagandeado Congresso do Desporto, fez saber que quer a Selecção A no Vale do  Jamor  – não disse para quando, esclareça-se — e as restantes disseminadas pelo País, sem necessidade de recurso a investimento público. Gilberto Madaíl , pelos vistos, tem a bola nos pés, mas, por enquanto, não a passa a ninguém. Edite Estrela deixou a pedra a ganhar musgo e Fernando Seara, esse, sim, um adepto de futebol, um apaixonado pelo Benfica, um ‘doente’ pela Selecção e, ainda, comentador televisivo do desporto-rei, por certo, está a aguardar pelo  "O Dia Seguinte" para anunciar que a Casa das Selecções ficará mesmo em Sintra. Resta saber em que edição será feita o anúncio. Faço votos, sinceros, que o Fernando Couto, que esteve no lançamento da primeira pedra, ainda seja vivo, já agora, para ir cortar a fita.


1 comentário 24 de Maio de 2006Autor: Ricardo Tavares

A bandeira é como as amantes

A bandeira é como as amantes: sai cara. E, sendo bela, mexe ainda mais no bolso.
Ter amante não está ao alcance de qualquer um. São necessários alguns predicados, nomeadamente dinheiro. Ora, Portugal continua teso. Não tem capacidade para trocar a tanga pelo calção, mas ignora essa evidência. Faz, até, vida de rico. O Estado, pelos vistos, não recebeu um tostão do BES pela utilização do Estádio Nacional.
Contamos saber, agora, quem pagará às empresas de camionagem que transportaram os figurantes para o Jamor e quem andou a angariar mulheres para se formar a bandeira. Esperamos que não tenha sido o Instituto Português da Juventude a assumir o papel do BES, que não é propriamente a Federação Portuguesa de Futebol, ou seja, uma instituição de utilidade pública desportiva, mas parece.


7 comentários 20 de Maio de 2006Autor: Ricardo Tavares